Correndo com lobos


Quando eu comecei a ler Mulheres que correm com os lobos, quase no começo do ano, não imaginei que fosse abrir meus olhos em relação à tantas coisas. Em outro post de dicas de leitura para as férias, contei um pouquinho sobre o livro, explicando que as histórias do livro são contos infantis. 

Mesmo assim, achei que esse livro merecia uma resenha mais explicadinha, porque ele é incrível e extremamente diferente de tudo o que eu tinha lido até então. Principalmente pra quem, como eu, tá adentrando no mundo da literatura feminista e que curte livros diferentões.

Pra entender o livro, a gente primeiro precisa entender a autora dele. A Clarissa Pinkola Estés é psicanalista analista, nascida nos Estados Unidos e tem ascendência mexicana e indígena. Aí dá pra entender o porquê do livro falar de assuntos como personalidade, herança cultural, mitos, e principalmente, sobre a mulher em si.

As condições culturais mais destrutivas para o nascimento e a vida de uma mulher são aquelas que insistem em obediência sem consulta à própria alma, aquelas sem carinhosos rituais de absolvição, aquelas que forçam a mulher a escolher entre a alma e a sociedade, (...) nas quais o novo, o incomum ou o diferente não geram prazer, nas quais a curiosidade e a criatividade são punidas e censuradas em vez de recompensadas, ou recompensadas apenas quando não é mulher (...)

Eu nunca tinha lido uma autora que escrevesse tão bem sobre a mulher e o universo feminino como a Clarissa. A partir dos 19 contos infantis (como Barba Azul, o Patinho Feio e outros), ela coloca a mulher como personagem principal e que merece e que deve ser analisada, compreendida e exaltada!


Não vou mentir: o livro é denso, muitas vezes difícil de ser entendido. Não vai achando que você vai conseguir ler ele rapidinho porque não vai!!! São mais de 600 páginas detalhadíssimas e que merecem ser lidas com todo o cuidado do mundo.

Pra quem curte psicologia, vai gostar da forma que a autora analisa a personalidade feminina (ela chama de "arquétipo selvagem"; por isso relaciona as mulheres com as lobas). Boa parte das lendas/histórias/mitos do livro mostram a mulher como sendo oprimida por outro alguém (geralmente um homem), seja num relacionamento ou não.

As mulheres desenharão portas onde não houver nenhuma. E elas as abrirão e passarão por essas portas para novos caminhos e novas vidas. Como a natureza selvagem persiste e triunfa, as mulheres persistem e triunfam.

Uma coisa que achei incrível no livro é que ele te dá algumas dicas pra você se encontrar. A Clarissa, antes de tudo, quer que a mulher saiba quem ela é, saiba do seu potencial e saiba que existem outras a quem ela pode se unir. Apesar do que você possa ter enfrentado, você pode se curar e se auto-descobrir.


Sobre esse lance do arquétipo selvagem, inclusive, o livro faz questão de lembrar que todas temos dentro de nós uma mulher selvagem, que está na nossa essência, mas que geralmente acaba sendo esquecida pelas situações e opressões da vida.

Embora haja cicatrizes inúmeras, é bom lembrar que, em termos de resistência à tração e capacidade de absorver pressão, uma cicatriz é mais forte do que a pele. 

Aí, como eu disse antes, por meio da interpretação dessas histórias (que as vezes parecem até bobinhas, de início), Mulheres que correm com os lobos dá o caminho para o redescobrimento e pra gente começar a prestar atenção nessa força esquecida que temos dentro de nós. Mais do que isso, o caminho pra nossa alma, que é nosso verdadeiro lar.

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Ps 2: as duas últimas imagens são bordadas e desenhadas pela Anna Tereza Barboza. O trampo dela é incrível e você pode ter mais informações aqui.  

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